Às vezes me sinto assim como essa frase. Alias, ela define bem meu estado de espírito atualmente. Vivo pensando na infinidade de coisas que poderiam ser, dói a cabeça só de pensar, e quando recorro às opiniões amigas escuto de tudo: deficiência de vitaminas, depressão, preguiça, praga dos outros, crise dos trinta, estafa de trabalho, encosto, mudança de temperatura ou até se não era hora de rever meu mapa astral. Pensando bem, faz tempo que não converso com os astros? Sempre acabo adiando com a desculpa de que é caro! Será que meus planetas estão dando cabeçadas uns nos outros? Alguém tem um bom astrólogo pra indicar? É. Por enquanto só resta suspirar e me sufocar em interrogações em busca de um diagnóstico.
Pra completar ando lendo Schopenhauer. Um filósofo alemão com fama de pessimista.
“Viver é sofrer “. Bom, por ai já dá pra ter uma idéia do que se tratam seus conceitos.
Eu tenho este livro desde 2005 e criei certa implicância com ele. Um livro enorme com um homem enforcado na capa? Um amigo da minha mãe quis ser fofo comigo e disse que tinha um presente incrível pra me dar: A CURA DE SCHOPENHAUER. A cura de quem? Ah filosofo? Eu sempre adorei livros, mas ler filosofia naquele momento de vida e ainda por cima com 333 folhas? Nem me esforcei pra chegar à metade. Ah não, de sofrer já basta o que eu sofro! Não quero ler sobre os sofrimentos dos outros. E nem sobre filosofia! Eu odiava as aulas de filosofia na faculdade por razoes óbvias: eu não entendia nada! Sempre aproveitava pra tirar um cochilo ou ir ao banheiro.
É uma sensação curiosa ler sobre sofrimento e estar desprovida dele. Nossa. Interessante reparar nisso? Estar desprovida de sofrer. Poderia estar agora em buscas de respostas para tudo que acontece comigo, chorando, alugando os colegas e atracada na tarja preta. E, mesmo com a fama que ainda levo por ai de quem gosta de sofrer, estou acabando de me dar conta o quanto distanciada desse sentimento estou e como as coisas começaram a se revelar pra mim por um outro angulo. E graças às paginas de Schopenhaeur! Como eu gostaria que algumas pessoas lessem esse post agora!
Mas quando digo graças as suas paginas não me refiro só ao do conteúdo de suas linhas. Talvez o livro tenha sido apenas uma maneira de me ilustrar e reforçar que estou passando por um momento especial na vida sem estar me dado conta disso. Quem diria que uma leitura esquecida na minha estante, que aborda vários problemas de existência humana, do ponto de vista de um homem que encontrou no sofrimento uma solução para eles, iria significar tanto assim?
Minha mãe é que estava certa quando repetia que tudo tem seu tempo e hora certa e eu, muito chata, não dava à mínima.
Será que estou caminhando para o que chamam de O verdadeiro amadurecimento? Sinto como se os corpos físico e espiritual entrassem numa espécie de conexão e provocassem um equilíbrio ou centralização do nosso ser. O resultado disso atinge a nossa mente nos permitindo uma visão mais clara e serena da realidade. Um astrólogo provavelmente diria que os planetas estão em linha e que as condições estão favoráveis!
O que posso afirmar é que aconteceu uma identificação “quase” imediata conforme passava pelas mensagens do livro. Digo “quase” porque ainda levei um tempinho pra processar: – Perai é isso mesmo? É como se a cada pagina pulassem todos os tipos de problema e com simples pensamentos eles perdessem sua força e importância.
“Tire a atenção do problema e deixe que a sabedoria do corpo resolva”, - não é simples?. Ou então olha que lindo:
A flor respondeu: – Bobo! Acha que abro minhas pétalas para que vejam?
Não faço isso para os outros, é pra mim mesma, porque gosto.
Minha alegria consiste em ser e desabrochar !
Pensamentos como estes lidam com questões pertinentes a qualquer ser humano e irão servir de acordo com as necessidades, vivencias, experiências que cada um de nós esteja precisando, sejam elas de que âmbito for. Acredito que a vida realmente esteja dividida em estágios ou fases, cada qual com suas prioridades, e sempre acontece um momento onde tudo se esclarece. A soma dessas realizações nos levaria à felicidade ou o que este sentimento signifique para cada um de nós.
Agora, quando encontrar o amigo da minha mãe, já tenho algum assunto pra puxar com ele: Estive pensando: Esqueci de dizer que li aquele livro que vc me deu? O do Arthur Schopenhaeur. A cura de Schopenhaeur. Gostei muito! O livro aborda assuntos bem interessantes. E polêmicos neh? To animada pra começar a trilogia.
